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Café em Grão

Voltar para casa...

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 Era verão.
Saí por aí, deixei para trás a carteira, as chaves de casa, bati a porta e não olhei mais para trás!
Caminhei ao longo da praia, sem nunca tirar os olhos do mar e deixei-me envolver no sonho, na inspiração, na magia e na entrega!
Na face apenas o vento que parecia obrigar-me a regressar!
Ainda assim contrariei todas as forças que me diziam para voltar atrás e achei que se estava a acontecer porque não deixar…acontecer?!
Apercebi-me do sol brilhar com toda a sua intensidade e aquecer-me por dentro tal e qual uma chama intensa que não parecia querer abrandar.
O cheiro a mar, fez-me respirar fundo tantas vezes, sem me dar conta dos suspiros que fazia tempo não me lembrava deles.
A areia por entre os dedos dos pés, provocavam em mim sorrisos sem fim, perdidos que estavam no meu eu mais profundo, renasceram e mostrei-os a todos que por mim passavam!
Corri, como um louco, não queria ser visto, não queria regressar, apenas continuar aquela caminhada tão desigual ao que estava já estabelecido como rotina na minha vida!
Mas já estava escrito que não pudesse continuar quando todo aquele momento foi interrompido por um muro alto, intransponível, fechado, sem qualquer hipótese de me deixar seguir em frente…
Ainda procurei uma brecha por onde pudesse passar, mas revelou-se inútil.
Assim olhei para trás e percebi então que tudo já tinha mudado e todo aquele cenário idílico não fazia mais sentido, o Verão já tinha dado lugar ao Outono, a chuva e o frio teimavam em arrefecer-me o corpo e a alma e eu só pensava…
Quero voltar para casa!
Mas como voltar agora? Não posso…
Deixem-me continuar a sonhar!
E ainda procuro tantas respostas!
Resignei-me e voltei costas ao que me estava a fazer tão bem…
No regresso apenas as manifestações de um Outono me acompanharam!
O quente do sol deu lugar ao frio que teimava fazer extinguir a chama, o cheiro a mar ainda me fazia suspirar mas desta vez com dor e a areia molhada já não me fazia rir…mas sim chorar!
A porta de casa estava aberta.
Assim que entrei ela fechou-se bruscamente!
Acordei estremunhado.
Foi apenas um sonho.
Mas ainda dói.

Carlos

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