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Café em Grão

Saí de cena...

16.01.07


 


Assisti durante imenso tempo a um espectáculo gratuito, em que a personagem principal era eu! De palhaço me vestiram para fazer de momentos, conversas e afins segundos, minutos, horas e dias de comédia! Outras vezes, não podia fazer rir, tornaram-me num palhaço triste em que tudo o que me rodeava não prestava e nem sequer me davam o dom da palavra! Era palhaço, limitava-me a ouvir e entender que as palavras proferidas pelo dono mas pouco, da tenda eram lei ali e em todo o lugar… Cansei, fugi do circo, para o qual muitas vezes fui obrigado a entrar!

Passei um ano assim, um ano em que no fim acredito ter perdido isso mesmo, um ano de vida!

E fugi da tenda, depois de um espectáculo de lucros numa noite que até foi especial, aproveitei a escuridão da noite para pensar. Pela manhã enquanto os patrões do circo dormiam, enquanto alguns amigos que fiz ainda descansavam saí da roulotte abandonando para sempre aquela cena!

“Chega!” – Pensei eu….

A partir daquele momento, depois de despir a fatiota de palhaço acreditei ter entrado numa guerra…mas que teria eu a perder?

Acredito que quando se abandona um circo, em que todas as nossas atitudes eram reprovadas, em que o palhaço não tinha por isso vontade própria, apenas condenado a cada passo que dava! Quando no próprio circo, os meus convidados eram tratados com desprezo, quando a própria voz dos patrões se elevava para ofender ou para manter a ideia deles sem sequer passar a palavra a quem teria esse direito, quando abandona-se um circo assim, no fim afinal apercebemo-nos não ter perdido nada!

Antes sim, ganhamos, um pouco de paz, um pouco de tempo para viver melhor a vida e podermos procurar novos cenários em que não temos que ser o palhaço, mas sim viver o momento em conjunto tendo todos o dever de o viver como sendo o personagem principal!

Naquela mesma noite em que abandonei o circo, já tinham requisitado um novo palhaço, pensei para mim, esta noite vou ter um pouco de paz…no final apercebi-me que o palhaço era um infeliz nas piadas que soltava, nas atitudes que tomava, mas ao contrário de mim, continuou a merecer os aplausos enquanto eu e os meus convidados passamos a ser meros figurantes e a partir daí alvos de piadas infelizes que o palhaço soltava feito guinchos!

“É o momento ideal…!”

Abandonei o circo…

Já passou algum tempo e hoje sinto ter saído por cima, tentei continuar invisível com este acto, mas não me deixaram…fui obrigado a entrar por caminhos nunca antes conhecidos por mim e desci bem baixo na minha posição! Arrependo-me apenas de ter descido ao mesmo nível dos donos da tenda!

Pois por vezes as pessoas esquecem-se em separar as coisas e julgam que algum dia o azeite se misturará com a água, mas estes são elementos bem distintos!

Por isso mesmo volto a repetir uma frase que escrevi num texto anterior…

“Os actos ficam com quem os pratica…a vida encarregar-se-á de lhes dar o troco!”

Eu prossigo a viagem, mais leve esta bagagem que agora transporto…deixei de ser o palhaço de serviço, quem sabe um dia não terei eu talento melhor e ainda me tornarei num encantador de serpentes! ZzzzZzzzzZzzzz

A vida dá voltas e voltas….


O Olhar de Gaybriel...

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