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Café em Grão

Por Utopia: As rugas que a minha vida abraça

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Ela acorda cedo. Madruga. Numa vida sossegada tem mil e uma coisas para fazer e se não tiver, logo depressa arranja.

É uma mulher cheia de segredos. Não daqueles intencionalmente guardados e escondidos, mas sim daqueles que causam um mistério à volta do ser que não se revela, não mostra, não deixa ver.

Apareço e tenho o beijo dela que me toca sem tocar, que me aquece sem queimar, que me embala, mas não ao ponto de não manter a minha atenção desperta para ela.

O olhar dela é fixo e demorado. Sempre foi assim: demorada quando se trata de observar os seus.

E nem aos seus ela é de afetos. Mas é impossível não nos sentirmos amados quando ela nos olha, nos fala, nos toca.

Ela acorda cedo e madruga. E depois de um dia sossegado, mas ocupado, volta a deitar-se com as forças carregadas para qualquer luta que apareça.

Tem 74 anos e é a minha vó (como lhe costumo sempre chamar). Aquela a quem nunca disse que a amava mas que o faço incondicionalmente.

Não, não faz anos. Não, não é o dia dos avós. Mas é o dia, dentro de todos os outros, que não me esqueço do quanto é bom tê-la naquela rotina chata de todos os dias que rapidamente se transforma numa bênção por saber que quando abrir a porta, ela estará lá. Na sua rotina sossegada, com mil afazeres.

O chá é diferente assim como o texto que vos deixo hoje. A minha vó gosta do chá Maça Canela e como, recentemente, está tão dedicada à leitura, fica o livro que leu recentemente: Um amor em tempo de guerra de Júlio Magalhães.

Utopia

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