Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Café em Grão

O voo da amizade...

imgpsh_fullsize.jpg
(
Foto com direitos de autor)

 

Avistei-te de longe, usando eu como capa defensora dos meus afectos o desdém! Aproximaste-te e pus-me a observar-te! Ouvi-te atenciosamente… Admirei toda essa auto-estima e todos esses voos pela vida que dizias fazer!
Abri mão dos meus princípios e no mesmo local procurei ouvir-te mais vezes, talvez em busca do bem que me fazias, da paz que me transmitias.
Aos poucos a capa defensora que me vestia foi caindo e deixei as emoções falarem por mim…
Foram horas e horas de conversa, onde tentei sempre esconder o bem que me estavas a fazer mesmo sentindo o mal que tudo isto podia provocar, mais tarde ou mais cedo teria de haver um Adeus. Mas não seria para já repetimos imensas vezes.
Contrariando os teus princípios, quiseste sempre passar a imagem de alguém que na verdade não eras e aos poucos deixaste também cair a máscara que usavas para te proteger das amarguras da vida e deixaste trasparecer que todos os teus voos estavam revestidos de mágoa e dor, que foste ferido vezes sem conta no teu orgulho, no teu ser, na tua alma.
E assim que me apercebi, as tuas lágrimas caíam vertiginosamente, aí dei-me então conta que te sentias incapaz de retomar o voo da tua vida…
Choraste muitas vezes pelo teu passado.
Chorei eu também sem nunca me ouvires e com isso nunca perceberás os meus motivos.
Como é possível? Um ser incrível que me conseguiu cativar de uma forma tão arrebatadora, como é que não conseguia voltar a levantar voo?
Quis muitas vezes que realmente ficasses e não voltasses a voar… egoísmo meu!
Julguei-me por momentos muito importante para ti, e era, mas não tão importante que te pudesse dizer para ficares.
Juntei então todas as forças possíveis e decidi libertar estas amarras que me estavam a prender a ti e a toda esta história, dei-te todo o apoio, a força e penso também o alento para voares novamente. Um ser especial não pode viver preso a um passado de dor.
Voa, tens de voar, ainda hás-de cair vezes sem conta, mas só assim aprenderás a lidar com todas as batalhas que te surgirão no teu voo pela vida.
Voa mas lembra-te que em tempos tiveste um amigo para te ouvir e aconselhar, o mesmo amigo que vai estar sempre aqui para te dar aquele empurrão para voltares a voar sempre que ousares pensar desistir.
Vou sentir saudades, mas quem sou eu para te impedir de voares, de seguires os teus sonhos
E depois, depois se tens asas, usa-as e mostra-me que és capaz de lá chegares e seres feliz!
E foi assim que te vi voar pela primeira vez...
Gosto muito de ti e sei que voltarás, pois quem gosta de verdade volta sempre nem que seja para um novo abraço.


O amigo,
Carlos
(Ficção)

 

7 comentários

Comentar post