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Café em Grão

O que vai ser de mim...


Mãos no bolso, casaco apertado, eu caminho sozinho pelas ruas da vila, cruzando-me com inúmeros anónimos que atarefados anseiam chegar a casa depois de um longo dia de trabalho!

Terão alguém que os espera? É possível, os pais, os filhos, os irmãos…

Tento não olhar para trás, continuo o caminho, ao fundo apenas o mar, calmo sereno, aguarda o sol deitar-se, para em conjunto nos proporcionar a mais bela paisagem, o Pôr-do-sol, aquele que muitas vezes assisti, aquele que muitas vezes foi testemunha de raros momentos de felicidade ora também de inúmeros momentos de solidão…

Hoje mais um momento assim…

Sozinho, aproximo-me da praia, tiro as sapatilhas, as meias, sinto então a areia ainda quente por entre os dedos dos meus pés, o dia hoje aqueceu bem!

Vou em direcção ao mar, procuro o limite, o instante, em que a espuma deixa de beijar o imenso areal, caminho paralelo às águas do mar…

Um vento fraquinho faz-se sentir…

Continuo a caminhar, não sei onde vou…

Começo então a relembrar as promessas perdidas no meu passado, começo a ouvir as mesmas vozes que me fizeram acreditar que o mundo era azul e a vida um arco-íris, as mesmas palavras que hoje soam a oco, mas que no passado fizeram de mim a pessoa mais feliz e especial à face da terra! Relembro e… quando julgava já ter secado todas as lágrimas, sem conter começo a chorar, choro sem parar…quem sabe talvez para limpar todos os vestígios de histórias que em tudo julguei verdadeiras!

O que vai ser de mim?

Desamparadamente deixo-me cair…

Olho o azul do céu e por breves momentos consigo ver, relembrar o beijo de paixão, o abraço de coração e todo o momento que envolveu dois seres sedentos de amor e carinho…

As lágrimas que eu chorei, afinal não se esgotaram, afinal, toda a dor encontrava-se adormecida!

O que vai ser de mim?

Enquanto enxugo as minhas lágrimas, sinto passos em meu redor…sento-me e posso perceber que se trata de um casal de namorados que caminham abraçados enquanto apreciam o deitar do sol. Sentam-se bem afastados de mim, do local onde eu estou é bem visível o respeito com que se tratam, o carinho que trocam, o beijo apaixonado…que romântico!

Também já vivi momentos assim…

Levo as mãos à cara, deixo-me cair novamente e solto o grito que à muito me sufoca…

Chorei imenso em muito pouco tempo de vida, quando julguei que as coisas eram mais fáceis caminhei por caminhos julgando que as pessoas usavam de sinceridade comigo…enganei-me!

Hoje não consigo acreditar nas pessoas, hoje não acredito mais num sorriso, hoje não consinto que me chamem de amor, paixão, fofinho ou de lindo, hoje tudo me soa a falso! Vai demorar até que volte a acreditar de novo…

Já fiz sofrer quem gostou de mim, estes dias uma senhora disse-me que eu estaria a passar o que no passado também fiz sofrer, esqueci-me de lhe dizer que no passado usei da máxima sinceridade!

A noite aproxima-se a passos largos, já não vejo o casal que ainda à pouco se encontrava a contemplar o pôr-do-sol, olho em volta e estou sozinho…

Como sempre sozinho…

O que vai ser de mim?

O que fazer a seguir?

Não tenho motivação para continuar, não encontro algo forte para me agarrar…

Apetece-me apenas esperar, esperar que este imenso mar me envolva e me transporte, misturando toda esta dor, todo este tormento com as areias submersas, escondendo-me de tudo e de todos, para que não tenha que sofrer mais, para que não tenha que chorar as lágrimas que afinal teimam em não secar…

Afinal o que vai ser de mim…perdi a fé, perdi a confiança, apenas eu, eu sou verdadeiro comigo próprio.

Mas afinal…o que vai ser de mim?

              

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