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Café em Grão

Não consigo aceitar...

29.08.15

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Ontem assim que saí do escritório, tinha umas cartas para enviar para Lisboa e procurei o posto mais perto para as depositar.
O referido posto dos Ctt, como não permite estacionamento à porta (sou um preguiçoso), tive que procurar estacionamento no parque mais perto.
Assim que visualizo o lugar para poder estacionar, uns metros mais à frente aparece um homem de meia idade, arrumador de carros a fazer-me sinais. De certeza que estava a dar-me indicações do lugar que eu já tinha visto e continuou a tentar ajudar-me como se eu não tivesse carta há já 16 anos e não tivesse prática na manobra.


Neste caso e em tantos outros que vão surgindo ao longo dos últimos anos, simplesmente ignorei o homenzinho.
Não consigo aceitar que me façam isto, fico irritado.
Eu trabalho para ganhar o meu, para que chegue no fim do mês e possa pagar as contas da casa, já desconto imenso para este governo poder atribuir rendimentos mínimos a estas pessoas que infelizmente vivem no limiar da pobreza (nem todos, mas isso são outras conversas!), desconto para uma dita reforma que quando lá chegar não irei ter direito, por isso ainda tenho de poupar do meu ordenado para que quando chegar aos 66 anos possa viver com dignidade. Apertamos tanto o cinto que simplesmente não posso aceitar que me abordem desta forma para pedir dinheiro ou até um cigarro (que por acaso nem fumo!).

Saí do carro e o fulano educadamente disse boa tarde, ao qual respondi de igual forma, até que:
“- Não tem nada?”
“-Não, não tenho!” – Disse eu aborrecido.
Fechei as portas do carro e atravessei a rua, com o pensamento de sempre, será que ainda me vai fazer alguma coisa ao meu bolinhas?
Depois de regressar dos correios, o fulano viu-me já dentro do carro e vinha mais uma vez ajudar-me.
Saí de lá, mas pelo retrovisor ainda me apercebi que alguém que saía de outro veículo lhe estava a dar uma moedinha. A cara de felicidade do senhor, amoleceu-me o coração e naquele instante, pensei para mim, não custava nada ajudar…
Mas fogo, quem me ajuda a mim?
Não pensem que não sou solidário, várias vezes ao longo do ano ajudo as diversas associações que pedem à porta dos hipermercados, roupa que já não preciso deposito nesses contentores para o efeito, julgo que depois a distribuem pelos pobres, mas sinceramente existem situações em que não consigo ser tão solidário.

Carlos

 

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