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Café em Grão

Histórias de uma gata: O amor é isto? 1ª Parte

26.09.15

Eu disse que voltava, não disse?
Pelo que me parece eles nem deram por nada. Agradeço desde já os comentários de incentivo… Prometo meter a nu a vida dos meus donos, mas para já queria vos fazer um apelo!

Tudo começou há cerca de meio ano, os paspalhos dos meus donos como já vos expliquei reduziram-me o espaço de circulação cá em casa. As portas dos quartos e da sala passaram a estar fechadas e vivo confinada a um mísero corredor e a uma cozinha, pelo menos durante o dia, já que há noite lá me deixam estar à beira deles na sala enquanto vêem as novelas… Novelas?! Ao invés de verem o CSI e todas aquelas sérias espectaculares do telecine, limitam-se a ver novelas ou então puxam atrás o programa das manhãs da TVI. Bah, já não suporto os gritos histéricos da Tininha…
Mas adiante, como estava a contar, depois de me limitarem o espaço, para além de comer e dormir, passo muito tempo à janela da cozinha, não é que o sol seja muito para me aquecer o pêlo, mas adoro estar ali a apreciar os humanóides que passam rua acima, rua abaixo numa rotina diária que até mete dó. Passo horas ali, já conheço a vizinha de baixo, a do lado, a do prédio em frente e até já me apercebi que uma delas anda a passear um saco de pulgas (vulgarmente chamado de cão) que apenas serve de motivo para uns encontros furtuitos com o vizinho do prédio mais a norte. Ai há tanta gente com eles tão grandes nesta rua…

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Um dia, entretida a ouvir as comadres que pararam mesmo aqui em frente a comentarem a vida alheia, apercebo-me um brilho intenso que vinha a subir a rua. 

Ofuscada com tamanha luz, fechei os olhos e voltei a abrir, na esperança de perceber o que se estava a passar. Eis então que surge diante o meu olhar um lindo patudo, convencido da sua beleza, balançando a cauda, parecia estar numa passerelle.
“Mas o que é isto?”- Pensei para mim. “Tantas noites a sonhar com um felino de olhos azuis e eis que me surge um verdadeiro príncipe!” “Estarei a sonhar?”
De repente, ouço um ruído enorme.
Miaaaaaaaaaaaaaaaaaaaauuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu
O patudo tinha batido com a cabeça contra o poste.
- Estás bem? Magoaste-te? – Perguntei eu.
Zonzo com a pancada o patudo procura pela voz que se mostrou preocupada.
-Estou aqui. – Avancei eu
Olhando na minha direcção, senti-o ainda mais zonzo.
-Que se passou?
-Bati com a cabeça neste poste estúpido! Quem o colocou aqui?
-Esse poste está aí desde sempre, tu é que…
-Esqueci-me dos óculos!
-Usas óculos? – Perguntei muito curiosa, se assim já é um verdadeiro príncipe, com óculos deve ficar com um ar tão intelectual!
-Sim uso, desde sempre, sem eles tenho dificuldades em ver ao perto.
Será que ele me consegue ver, pensava eu para mim! Era melhor que não me conseguisse ver, não fosse apanhar um susto…
-Mas magoaste-te?
-Não, estou bem, um pequeno hematoma apenas, obrigado pela preocupação! Mas, que estás a fazer aí em cima?
Se perguntou é porque me vê bem, já que moramos num segundo andar,  se vê mal ao perto se calhar até vê bem ao longe!
-Eu moro aqui com os meus donos.
-E porque não vens até aqui abaixo?
-Meu querido, sou uma gata, não tenho asas para voar! Ou queres que salte para me estatelar no chão?
-Mas não vens à rua com eles?
-Não me compares a esses sacos de pulga que por aí andam amarrados por uma trela e que obedecem às ordens dos donos.
-Eu saio de casa quando quero e bem me apetece, moro com os meus humanóides numa casa térrea.
-Não tens medo de andar na rua?
-Ah já estou habituado…

venda-de-filhote-de-gato-persa-tel-2457-7984-25645Fiquei bastante impressionada com a coragem daquele patudo de ar bonito e saudável para quem anda pelas ruas. 

Senti que ele não queria tirar os olhos de mim, mas será que eu tinha remelas nos olhos?
Nisso ele perguntou-me:
- Como te chamas? 

Envergonhada por saber que tenho nome de traveca, hesitei em responder, mas não fazia sentido estar a esconder.
- Chamo-me Yra, com “Y”.
-Mas que nome tão invulgar e ao mesmo tempo tão simples e bonito.
Lisonjeada agradeci. Comecei a sentir o meu coração a bater mais forte e não percebi na altura o porquê, mas estava a ser tão bom aquele momento. Curiosa também lhe perguntei:
- E tu como te chamas?
Nesse momento surge do outro lado da rua um saco de pulgas sem trela que começa numa corrida desenfreada para alcançar o meu novo amigo.
-Cuidado gritei eu!
- Chamo-me FAAAAAAAAAAAAAAUUUUUUUUUUUUUUUUSSTTTTOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO!
Numa luta pela sobrevivência vejo-o a correr rua acima, em busca de um lugar seguro para se proteger daquele energúmeno que não parava de o seguir. Desapareceram assim que fizeram a curva.
Fiquei preocupada, será que se safou?
“Fausto”, mas que nome tão bonito para um príncipe como ele.
Custou-me a aceitar, mas estava a apaixonar-me.
Os dias foram passando e não mais tive notícias dele.
“Será que o saco de pulgas o apanhou?”

(continua)

Yra Patinhas Fofas

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