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Café em Grão

Eu prometi...mas!


Está calor lá fora, mais parece um dia de verão! Tomo um banho rápido e saio de casa!

Na rua imensa gente, na marginal, junto à praia crianças a correr, a brincar enquanto os pais conversam! O mar, o mar está lindo, calmo…nada comparado ao que esteve durante as últimas semanas!

Eu continuo o meu caminho, procuro na rádio um som agradável, com uma condução calma, sigo a linha do mar, observando quando posso, por entre os prédios o brilho, o espectáculo que apenas o mar nos oferece!

Chego ao meu destino…quando não me importaria de seguir em frente, junto à praia, procurando um sonho à muito perdido!

Com os meus amigos passei a tarde e o serão de sábado, jantamos todos juntos, conversamos, divertimo-nos! Tivemos tempo até para falar de fé, de Santos e do dia que agora se aproxima, em que cada um de nós deu a sua opinião, uns mais crentes outros nem por isso!

Nesta noite mais uma vez dei de mim, sorri, o que sempre me pediram para fazer e eu reaprendi com a ajuda deles! Esta noite mais uma vez entrei em conflito “amigável” com um dos meus amigos, voltei a dar de mim! Mas onde estava o meu “eu”?

Por longos momentos perdi-me, vasculhei as minhas recordações, relembrei o que foi, o passado, o lugar, as palavras, o sorriso! Por longos momentos ausentei-me daquele cenário que me rodeava, estava mas não estava sentado à mesa com os meus amigos! Alimentei um pouco mais a mágoa…talvez!

Aos poucos sinto, que não vale a pena usar máscaras e sorrir, quando na verdade apenas nos apetece estar calados no nosso mundo, no nosso sossego! Para quê sair de casa, fazer um esforço para sorrir, se aos poucos a máscara vai caindo? Para quê enganar os que estão à nossa volta, quando na verdade, eles próprios já sabem que eu não estou a ser o mais verdadeiro? Para quê? Apenas tenho o trabalho, o esforço, de me mascarar, para logo de seguida, a mágoa alimentada, a dor escondida se voltar a mostrar e fazer desaparecer o sorriso que inventei, o ânimo que nunca existiu!

Passava pouco da meia-noite, já não estava a fazer nada lá em casa, ainda surgiu um convite de um colega para tomar um café, mas achei que não era boa ideia! Regresso a casa…

Junto à linha do mar, o cenário já não era o mesmo como tinha presenciado a meio da tarde, as pessoas já não estavam lá, não havia mais crianças a brincar, apenas o vazio da noite! Que solidão…

Devagar, sigo o meu caminho, passo por locais para os quais olho com saudade, lá ao fundo os rochedos onde segredos se escondem, onde numa madrugada duas pessoas, um beijo, marcou para sempre o local! Passo por lá todos os dias, todos os dias eu me lembro…mas hoje é diferente! Mais à frente…a praia, o estacionamento, o mesmo luar, a mesma luz dos candeeiros de rua!

“-Hoje não vou para casa!”- penso para mim…

Resolvo estacionar! Na rádio uma melodia calma, em mim uma vontade imensa de baixar o banco e descansar! Encosto apenas a cabeça e deixo-me estar ali a contemplar o mar, a “viajar” no tempo! Uma lágrima escorre pela face…

Perdi, sem nunca ter ganho, entreguei-me em vão num sonho que era apenas meu!

Porquê a mim? Porquê eu? Não foi muito tempo, mas foi o suficiente para colocar no topo das minhas prioridades, esquecendo amigos e colegas, para que o sonho não acabasse…No fim entendi que o que construí, o que para mim era um sonho, afinal não passavam de castelos de areia, que numa madrugada do mês de Agosto o mar resolveu destruir, levando com ele toda a minha esperança, todo o meu amor-próprio e o meu sorriso! Acreditei tanto…

Não consigo voltar a acreditar, o medo, a mágoa não deixam que alguém se aproxime de mim! A ferida está bem aberta…eu tento, mas não consigo fechá-la! As saudades não me deixam…

Já é tarde, passaram-se duas horas, tenho de ir para casa!

Deixo o local onde um dia ainda conseguia sorrir, a máscara, essa caiu de vez! As lágrimas “descolaram-na”…

Regresso ao meu lar!

Estou cansado…

Eu prometi, mas é mais forte do que eu!

 O Olhar de Gaybriel...

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