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Café em Grão

Entrego a minha alma...


Madrugada lá fora, o silêncio da noite chama por mim!

Levanto-me devagar, não quero acordar ninguém, chego perto da porta e olho para trás, algo estranho! O meu corpo, sim o meu corpo continua ali deitado! Assustado coloco a mão ao puxador da porta, simplesmente não consigo tocar-lhe, sou a minha própria alma, passo as divisões todas da casa invisível! Entro no quarto da minha mãe, um carinho, voltarei …amo-te muito!

Saio a correr, do meu lar, fugindo de tudo e todos, fujo do meu passado, fujo de mim…

Não sinto o frio da noite, não sinto o vento, corro em direcção ao mar, como se alguém me estivesse a perseguir…acabou! Acabará hoje mesmo, os dramas, a dor, as lágrimas…deixei o meu corpo envolto num lençol, entrego a minha alma ao mar, o mesmo mar que sempre me ouviu, o mesmo mar onde descarreguei toda a minha raiva! Hoje entrego-lhe tudo, porque eu sou parte dele, espalharei o meu ser na sua imensidão, livre, não me vou prender a mais nada, livre como sempre sonhei ser…

Antes disso, deixo-me pairar sobre a areia, fazendo correr todos os bons momentos que vivi, sorrio…chegou a hora!

 

Mar amigo,

Mar confidente,

Entrego-te a minha alma,

Prova da importância que tens em mim

Entrego-te a mágoa, a dor, a desilusão

Aquilo que nunca sonhei para mim!

Dou-me por inteiro,

O que de mais puro possuo

A alma que do lixo se soltou

O corpo que nunca amei

Arrependo-me do passado longínquo

O mais recente destruiu-me todos os sentidos

Hoje largo o meu corpo

Confiando em ti, na tua força

Para que um dia ao devolveres-me

O faças certo que jamais sofrerei

Certo que jamais voltarei a chorar

Devolvas-me livre do passado

Mais certo do meu futuro

Mas por agora

Entrego-te a minha alma!

Aceita-a…

 

 

“Na vida existe um tempo para tudo, o tempo para gostarmos, amarmos, o tempo para sorrir, para chorar, tempo para alegrias, para tristezas, correr atrás de um sonho, tempo para desistir, também para insistir, o meu tempo… o meu tempo terminou à muito!”

 

Voltarei, pois não me despeço da vida...

...na vida, apenas me despeço do meu passado!

No Olhar de Gaybriel...

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