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Café em Grão

Dia do quê...?


Dia 1 de Novembro!

Dizem que hoje é dia de homenagear os mortos, por isso é dia de gastar fortunas em flores para deixar-mos as campas dos nossos entes queridos mais bonitas do que a dos vizinhos, também é dia de comprar velas a um preço exorbitante porque fica bonito acender pela alma de cada pessoa que já partiu! Hoje, também é dia de chegar ao cemitério e encontrar aquele familiar em que a ultima vez que o vimos foi no ano anterior no mesmo local, é daqueles dias que servem sem dúvida para pôr a conversa em dia, afinal passou-se um ano!

“-Olá como vais primo? Ao tempo que não te vejo!?”

“- Pois é verdade, há um ano!”

Hoje é dia também de vermos aquelas pessoas, que durante o ano se desinteressaram pelo local, pelo asseio da campa, mas que no entanto hoje estão lá, eles engravatados, elas com a melhor roupa que tem, dando o ar que sempre se importaram por manter bonita a imagem do ultimo repouso que um dia vão ter! Por favor…

No meio daquele cenário, depois temos aquelas conversas de sempre …

“-Reparaste bem nas flores que o Dr. Fulano de tal, meteu na campa? Que caras que devem ter sido!”

Ou então,

“Ai que vergonha, a família tal, não foi capaz nem de neste dia enfeitar a campa do falecido! Vivem de aparências é o que é!”

Por favor, chega…

Este devia ser chamado o dia das famílias, também da hipocrisia, da inveja, do consumismo desnecessário!

Eu, hoje não saio de casa!

A minha família mais próxima tem por hábito apenas passar no cemitério, acender as velas e depois retirarem-se, mesmo assim são condenados por aqueles que passam o dia ali colados a um bocado de mármore! Eu, tive anos que o fazia, mas para quê? Para quê homenagear quem devia ser lembrado sempre durante o ano?

Quando me bate a saudade de quem partiu, quando sinto necessidade de acender uma vela, saio de casa, independentemente do dia em si, compro as velas e acendo-as na campa, não precisa de ser necessariamente hoje! Vou hoje para quê? Só se for para ser visto…

Tive pessoas que passaram na minha vida e que infelizmente hoje já não estão entre nós! Entre muitos que de uma forma ou outra marcaram a minha vida, realço os que me são mais próximos, sangue do meu sangue e aqui terei de ser sincero!

O meu pai, partiu tinha eu dois anos, não me lembro dele, não posso chorar a ausência dele, porque nunca soube o que é ter o amor de um pai! Tenho e terei sempre a mágoa de não ter tido a oportunidade de o conhecer, mas isso é outra história! Sinceramente sei que é ele que está enterrado naquele local, a vela que possa acender por ele é pelo respeito e nunca pelo amor que nunca senti! Acendo velas por ele sim, não necessariamente no dia de hoje!

A minha avó paterna, foi daquelas pessoas que nunca me deixou criar laços, nunca me deu um carinho e quando a conheci melhor foi já quando a doença tomava conta dela! Lembro-me dela, faz hoje precisamente 11 anos que partiu, com enorme respeito também por ela quando posso acendo uma vela, não necessariamente hoje, antes sim quando posso!

O meu sobrinho, foi a perda mais recente, a mais custosa, a mais difícil de ser ultrapassada, daquelas pessoas que acredito, sentia amor, assim como sinto por toda a família que me rodeia! Já lá vão dois anos e meio…Não passará um único dia em que não pense nele! As saudades são eternas! Quando vou ao cemitério coloco uma vela também por ele, apesar de saber que não é ali que ele se encontra sepultado!

Mas, no fundo acendo as velas quando acho, quando tenho vontade! Quando quero ir ao cemitério não espero por este dia…Por isso e para contrariar os demais, hoje vou ficar em casa, no meu cantinho!

Vê-se tanta hipocrisia neste dia, para quê participar nela?

Dia de homenagear quem está no nosso coração e que partiu, é todos os dias e não no dia 1 de Novembro!

Vale a pena é pelo feriado…

O Olhar De Gaybriel...

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