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Café em Grão

Consegues ouvir-me?

fundo do poço.jpg 

O relógio marcava precisamente as 23h30 de uma noite que ameaçava já com o frio do Outono.
- Vamos dormir? – Perguntou Artur, num leve tom, tentando convencer João que já era tarde e precisava de descansar.
- Ainda é tão cedo! Vai tu…
Artur nem pestanejou, levantou-se imediatamente do sofá e dirigiu-se para o quarto. Enquanto escovava os dentes, percebeu que João tinha mudado de ideias e que o seguiu, demonstrando que afinal já era tarde e tinham que dormir cedo, já que a rotina do dia-a-dia os obrigava a levantar cedo também.
Recolhidos no quarto, antes de adormecerem ainda houve tempo para uma breve conversa, um olhar sobre o dia que findava e os medos que pairavam no ar!
- Consegues ouvir-me? – Questionou Artur.
Mas João que até não queria vir para a cama, adormeceu bem antes de haver tempo para um beijo de despedida.
Absorvido pelos seus medos e dúvidas Artur viu-se perdido naquela cama, naquele quarto, onde apenas a luz de uma vela que vinha do outro quarto lhe fazia um pouco de companhia. O sono demorava a chegar, o coração batia acelerado e todo aquele cenário por momentos pareceu-lhe tão irreal!
As palavras “consegues ouvir-me” não lhe saiam da cabeça e ecoavam assustadoramente vendo-se de repente encurralado num poço onde por mais que gritasse por ajuda ninguém mais o ouvia.
Amanheceu e o telemóvel de João despertou. Estremunhado esticou o braço e desligou o alarme, depois virou-se para abraçar Artur e acorda-lo…
- Artur?
Mas Artur já não estava mais ali!
Consegues ouvir-me?

Carlos

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