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Café em Grão

Coisas que eu detesto: A impunidade

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Com o regresso à rotina e visto que o meu cargo assim o exige, andei a controlar o stock de alguns produtos. Pois durante a minha ausência ninguém o fez e quando falamos por exemplo do tabaco, se falha um, lá se vai o lucro de todo um volume!
Assim um a um, e são muitas marcas de cigarro, andei a ver se havia falhas e como encontrei algumas diferenças, verifiquei turno a turno onde se encontrava a diferença. Inevitavelmente o funcionário ao serviço nesse turno acabou por pagar.
No entanto houve um turno que me chamou a atenção, pois as falhas eram assustadoras e apenas em duas referências, 6 numa e 3 noutra! Confrontei o colega com o que poderia ter acontecido, sem nunca desconfiar dele, pois a equipa que formamos não deixa duvidas na seriedade…assim espero eu!
O colega estupefacto garante-me não perceber o que terá acontecido e como esta falha datava de 24 de Abril, ainda mais difícil foi lembrar-se do turno. Assim não me restou mais nenhuma hipótese senão verificar as câmaras de filmar.
Através de umas contagens diárias que eles fazem, apercebi-me que o erro terá ocorrido perto do final do turno, entre as 14h e as 15h. Mais fácil se tornou a busca…
Então durante a visualização das filmagens, apercebo-me de um momento em que o meu colega se desloca ao exterior da loja para ajudar um cliente, quando entra outra cliente no estabelecimento. A mesma, apercebendo-se que mais ninguém estaria no interior da loja, procura saber se está alguém no escritório e assim que se apercebe que está sozinha, passa a barreira física que a separa da zona proibida e vem atrás do balcão roubando dois ou três maços. Regressa ao local de onde nunca deveria ter saído e apercebe-se que ainda lhe resta tempo para continuar o crime. Assim volta a passar a barreira e desta vez consegue retirar mais seis maços de tabaco. Como o meu colega estava de volta à loja, a larápia não conseguiu roubar mais e então cumpre com o que vinha inicialmente fazer ao estabelecimento.
Paga e vai-se embora sem levantar dúvidas ao funcionário e a ninguém.
Olhando as imagens é incrível perceber a facilidade com que esta gente age.
Condeno qualquer crime que seja, no entanto quando se rouba para comer, até percebo e tento me colocar no lugar daquela pessoa! A falta de dinheiro devido à crise fez nascer muita miséria no nosso país e muita dela está escondida e nem nos apercebemos dela. No entanto roubar para o vício, isso não! Não aceito, condeno e fico enraivecido.
Ainda não percebi muito bem o que o patrão vai querer fazer com as imagens do crime, se apresentará queixa ou não às autoridades! Mas é sabido que esta gente, não tem morada certa, vivem de ajudas e não terão forma de pagar o que roubaram. E depois a justiça, como sempre, tarda e nunca é eficaz!
Indigna-me a impunidade, por que no fim é isso mesmo que vai acontecer.

Carlos

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