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Café em Grão

As relações pessoais...

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Ele chegou, o bar estava cheio, de jornal debaixo do braço, procurou o melhor lugar, à janela com vista para o mar.
Sentou-se e ali ficou. Sozinho! Pediu um café e enquanto bebia, o seu olhar corria todas as pessoas sentadas nas mesas daquele bar.
Estendeu o jornal como quem o fosse ler, mas dificilmente conseguia colocar os olhos nas notícias do dia anterior, pois havia algo naquela sala que o chamava atenção…
Ele sempre admirou as pessoas, durante toda a sua vida, no desempenho da sua profissão, sempre lidou com as mais diversas gentes lá da aldeia, mas os tempos tinham mudado!
Na mesa ao lado, apercebeu-se de um casal com os seus dois filhos, tinham chegado animados, pediram cafés e sumos, entretanto ficaram mudos. Mais à frente, um casal de jovens apaixonados, chegaram de mão dada, assim que se sentaram esqueceram todo o romantismo. Outra mesa, dois amigos, conversavam animadamente, mas também acabaram por ficar mudos. Naquela sala apenas o som da música se fazia ouvir.
Ele, abanava a cabeça, não entendia todo aquele silêncio.
Recordou então os tempos de outrora, quando pegava na sua esposa, nos filhos e rumava até ao café da cidade. Era uma alegria. Os miúdos a correrem pelo café, contentes, de gelado na mão. E ele e a esposa felizes, enquanto tomavam o café onde aproveitavam para namorar mais um pouco e especular sobre o futuro dos filhos. Nesses momentos faziam-se planos e construíam-se sonhos.
Continuou a olhar em volta e uma lágrima caiu.
Hoje com 78 anos, estava ali sozinho, viúvo. Os filhos emigraram em virtude da crise. O que mais desejava naquele momento, uma companhia para conversar. Tão madrasta a solidão.
Não entendia, olhando as mesas em volta, como podiam as pessoas preterirem a companhia em prol das novas tecnologias. Então, na mesa ao lado eram os telemóveis e os tablets que substituíam as conversas naquela família de quatro elementos. O casal de namorados, encontravam conforto não nos braços um do outro mas sim nos telemóveis, nas redes sociais e afins. Mas que sociedade é esta? Completamente alheia das relações pessoais.
Levantou-se, completamente invisível a todos aqueles que por ali estavam, pagou o café e retirou-se. Num último olhar sobre a sala, pensou:
Um dia hão-de perceber o verdadeiro sentido da palavra amor e da amizade, talvez apenas no momento em que a saudade bater e o tempo não voltar atrás!

Carlos… Quando a ficção imita perfeitamente a realidade!

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