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Café em Grão

Afinal...sou tão feliz!

13.11.06


Esta flôr, ofereço a todos vós pelo carinho, pela amizade e pela companhia que me têm feito neste último ano! Obrigado por se terem dado a conhecer um pouco mais, aos que continuam escondidos, o meu obrigado também, pois acredito que me continuarão a acompanhar!

 

 

Domingo à noite…olho o relógio no canto inferior direito do meu monitor, marcava precisamente 21 horas! Desligo o computador, dou um olá à minha mãe que regressa de um passeio e resolvo aconchegar-me no quentinho dos meus cobertores!

O sono tardava em chegar…resolvi ligar a televisão!

De canal em canal, nada me parecia apetecível de ver, no entanto lá me decidi e dediquei algum tempo a ver aquele programa que passa na Tvi “Canta por mim”! Aquele que estrelas da TV, umas mais, outras menos brilhantes mostram o que valem a cantar, tudo para ajudar uma causa! Confesso que já conhecia os detalhes do programa, agora desconhecia por completo o tipo de situações que por lá passam...

Pergunto a mim mesmo!

 “Estamos a ser governados por quem?”

Como é possível não se ajudar uma mãe que não tem uma casa com as mínimas condições para criar a filha? A jovem tinha que se deslocar para fora de casa para ir buscar água para cozinhar e lavar a roupa! Casa de banho, não tinha, nem dentro, nem fora de casa! Como é que ainda se permite em pleno século XXI, uma situação destas?

Lamentável…

Depois desta situação, uma outra ainda mais complicada! Uma irmã que pede ajuda para cuidar do irmão, que se encontra numa cama, vivendo como um vegetal desde a nascença! Por favor… Não sei se neste caso terão detectado por ecografias o estado de saúde da criança quando ainda se encontrava no ventre da mãe, mas se assim foi, porque não o aborto? Há situações que me ultrapassam, posso estar a ser muito radical, mas antes a dor de perder um filho, do que a dor eterna de ver um filho tal e qual um vegetal preso a uma cama para toda a vida! Sofre a criança e sofrem os pais e familiares…

Lamentável, ter-se que recorrer a um programa de televisão para pedir esmola, quando se tivéssemos uma segurança social mais atenta, um governo mais empenhado, recorreríamos sim, à televisão, não para mostrar as desgraças mas sim para mostrar as alegrias de uma família!

No final, a “estrela” que ganhou, defendia a causa de uma família que procurava reformular a casa, já que a humidade, o frio, eram prejudiciais para a saúde dos três filhos! Estes já com um passado de internamentos…

Apaguei a televisão e tentei dormir…

Na minha cabeça apenas um pensamento!

Sou tão feliz!!! É verdade…

Chorei imenso por uma causa que em nada se comparava à daquelas pessoas, chorei, chorei…mas tenho uma cama para dormir, tenho comida na mesa, tenho um trabalho, tenho uma família, tenho saúde, também tenho algum dinheiro para me governar… chorei, chorei, para quê?

Dou graças por ter duas pernas, dois braços e muita vontade de vencer…A minha dor em nada se comparará a quem não tem um prato de sopa para comer, a quem está agarrado a uma cadeira de rodas, a quem tem de roubar para dar um simples pão a um filho que não pediu para nascer!

Eu afinal, sou tão feliz…

O Olhar de Gaybriel...

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